Moçambique vai produzir automóveis chineses

Está para breve o arranque da produção automóvel em Moçambique. Localizada no antigo estaleiro dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), na Machava, arredores de Maputo, um extenso complexo industrial vai produzir viaturas ao abrigo de um acordo entre os governos de Moçambique e da China. A fábrica tem uma capacidade inicial de 30 mil unidades/ano e o primeiro modelo a sair das linhas de montagem deverá ser uma carrinha de transporte de passageiros. Este género de veículos é bastante procurado (e desejado) pela população, por causa da crónica falta de transporte colectivo dentro da capital e entre esta e os subúrbios de Maputo.

Com uma presença cada vez mais influente em Moçambique, a China vai canalizar cerca de 150 milhões de dólares para a instalação de uma unidade produtiva que construirá ou montará vários modelos automóveis e até motociclos.
Numa fase inicial, a fábrica irá “produzir carros da marca ‘Matchedje’, nome de uma localidade do distrito de Sanga, a norte da província do Niassa, onde se realizou o 2º congresso da FRELIMO, hoje partido no poder”, refere um comunicado da AIM, agência de informação de Moçambique.
Um investimento inicial de 15 milhões de dólares permitirá fabricar os primeiros 30.000 veículos, dos quais 22.000 serão veículos leves, 5.000 caminhões e 3.000 autocarros. Dado que a intenção já manifestada é a de expandir o negócio a toda a região de África, para que isso seja possível, a capacidade de produção instalada será de cem mil carros/ano e as primeiras estimativas apontam para a criação de 1500 empregos.

Créditos chineses em Moçambique

Este projecto resulta da parceria entre o governo moçambicano e a “China Tong Jian Investment”, com sede em Xangai. Trata-se de uma organização cujo capital pertence a empresas estatais chinesas e à “Canadian Morgan Funding Organization”, uma conhecida empresa de assessoria financeira. Com o foco da sua actividade na promoção das relações China-África, o interesse em Moçambique está ainda na exploração dos seus recursos energéticos, nomeadamente gás natural e petróleo.
No recente Salão Automóvel de Xangai apresentou o S-11, um carro superdesportivo claramente inspirado em modelos de marcas europeias, que tem a particularidade de dispor de uma mecânica híbrida.
Com cada vez maior influência junto do governo moçambicano, facilmente constatável através do site do grupo chinês, a “China Tong Jian Investment” desenvolve também actividades industriais ou financeiras noutros países, como a Papua Nova Guiné, Sudão, Gabão ou Moldávia, onde tem assinado acordos de cooperação na exploração mineira e na construção de infra-estruturas urbanas, de comunicação e de produção eléctrica.
Em 2010 foi a co-responsável pela organização de um seminário sobre oportunidades de investimento em Moçambique realizado na China. A outra parte da organização coube ao estado moçambicano.

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