HISTÓRIA: MG, Garagens Morris

Os desejados roadster desportivos no princípio dos anos 70. Mas a gama incluía algumas versões da Austin
A MG NASCEU do mesmo modo que tantas outras marcas: recorrendo à plataforma e elementos mecânicos de outro construtor. Cecil Kimber, apontado como o seu criador, alto responsável das «Morris Garages» - uma distribuidora dos carros da marca Morris em Oxford, Inglaterra -, e grande entusiasta de modelos desportivos, acreditou na existência de um mercado para este segmento. Cecil começou por modificar os modelos da marca inglesa, aumentando-lhes a potência dos motores, rebaixando-lhes a suspensão e montando-lhes carroçarias de aspecto e eficácia mais desportiva.


COM CHASSIS MORRIS, a comercialização dos primeiros modelos principiou em 1924. Tratava-se do 14/28, um desportivo de quatro lugares que não enjeitava uma utilização do dia-a-dia mas que, com poucas transformações, podia participar condignamente nas provas de velocidade e resistência que então proliferavam na Europa.
Desde o início essa foi uma característica dos modelos.
Entre as sucessivas mudanças para instalações mais amplas, motivadas pelo sucesso que a marca do octógono ia conhecendo, o final da década de 20 vê nascer um dos mais emblemáticos carros da marca: o Midget.


O MG-TYPE M foi produzido de Abril de 1929-1932 e também é designado por 8/33. Trata-se de um pequeno desportivo de dois lugares baseado no Morris Minor e no seu pequeno motor de 847 cc. Este carro foi não só responsável por várias vitórias na sua categoria, como o percursor de outras séries de idêntico sucesso que quebraram vários recordes de velocidade, graças a soluções mecânicas bastante desenvolvidas para a época.
Outro sucesso foi o MG K type Magnette, cujo motor de seis cilindros tinha apenas 1,1 l de capacidade. Mas o seu baixo peso, a par de uma suspensão terrivelmente eficaz e de soluções mecânicas que permitiam, por exemplo, aos seus pilotos, "negociar" curvas com maior rapidez e segurança, fizeram este desportivo acumular uma série de troféus na respectiva categoria e bater-se com modelos bem mais potentes do que os ágeis carros ingleses.

MG TC de 1945
A DEPENDÊNCIA à Morris e o controlo desta sobre a MG acentuou-se ao longo dos anos. E, tal como aconteceu com a maioria das fábricas inglesas, as da MG foram reconvertidas para a produção de armamento durante a 2.ª Guerra Mundial.
O pós-guerra vê surgir outro modelo emblemático: o MG TC.
Cecil Kimber já tinha sido demitido, vindo a falecer de acidente em 1945.
O TC foi o primeiro carro da marca a ser exportado em larga escala, inclusive para o difícil mercado norte americano - que acabaria por se tornar um dos mais importantes para o construtor -, dispondo de um motor de 1250 cc e suspensão dianteira independente desenhada por um jovem chamado Alec Issigonis, que mais tarde viria a ser o pai do Mini.

MGB GT MkII 1968
JÁ A MG fazia parte do grupo BMC, que reunia, entre outras, as marcas Morris e Austin - para referir apenas as mais conhecidas-, quando, em 1955, surge outra série de modelos de sucesso.
Sempre pequenos, sempre desportivos e sempre apaixonantes, o MGA e posteriores MGB, projectaram definitivamente o nome da MG no universo das marcas desportivas. Sete anos de produção e mais de 100 mil unidades produzidas confirmam o sucesso do MGA, já com a MG como responsável pelas versões desportivas da BMC. Simultaneamente, era a responsável pelo fabrico de outra marca do grupo inglês, a Riley.
A década de 60 e principio dos anos 70 popularizaria, definitivamente, os MG como pequenos desportivos simples mas robustos, acessíveis no preço e surpreendentes nas prestações alcançadas.

Baseado na berlina Rover 75, o MG ZT XPower 385 pretendia concorrer com o mais desportivas marcas europeias. A designação 385 deve-a à potência declarada
A CRISE DO PETRÓLEO e a necessidade de pára-choques em material sintético, obrigatórios pelas rígidas regras de segurança norte-americanas, descaracterizaram irremediavelmente o MGB. Era o principal motor da marca, levando-a a uma lenta agonia e acabando por a fazer ser preterida dentro do grupo BMC, em favor da Triumph.
Durante alguns anos condenada a dar apenas nome a versões desportivas de modelos da Austin, como o Metro, o Maestro, e o Montego, sem o brilho de outrora, tem o primeiro sinal do seu regresso em 1992, com uma produção limitada de 2000 mil exemplares de uma versão baseada nas linhas do ultimo MGB, equipado com o motor Rover V8 de 3,9 l, proveniente do Range-Rover.
Mas já então se desenvolvia o MGF apresentado três anos depois no Salão de Genebra.

O belíssimo TF, o último MG a encarnar algum do espírito da marca
OS ÚLTIMOS ANOS de comercialização da marca foram já de alguma agonia, e, como nos anos 80, produzindo versões desportivas dos modelos Rover: os MG ZR, ZS e ZT.
Dos últimos comercializados, o que melhor manteve os pergaminhos desta lendária marca de modelos desportivos, foi justamente o TF, evolução do MGF, um descapotável de dois lugares e motor central.
Na comemoração dos 80 anos na marca chegou ainda a ser apresentado o MG GT CONCEPT, um belíssimo coupé baseado na série TF, de linhas sensuais, elegantes e que apelavam à expressão contemporânea do famoso MGB GT da década de 60.
Outros protótipos se lhe seguiram, entre eles o X80 e o ainda mais imponente X Power SV baseado no anterior. Recorria a um motor V8 de origem Ford e debitava qualquer coisa como 313 cv, embora existisse a hipótese de um seis litros com 765 cv!
Com a falência da marca Rover, o nome MG desapareceria do circuito comercial.
Embora se mantenha bem viva no coração de muitos entusiastas de modelos clássicos. E nas garagens dos mais afortunados.
Quem sabe, um destes dias retornará. Provavelmente "Made in China" ou "Made in India"...
O MG X Power SV poderia ter sido o modelo comercializado mais potente de sempre: 765 cv!

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