ENSAIO: Ford Focus 1.0 EcoBoost Edition SW

É difícil acreditar que, por debaixo do capot, se encontra um motor com apenas 998 cc. A desenvoltura que revela, os valores de aceleração e a capacidade de recuperação são equivalentes a unidades 1.4 ou até 1.6, com clara vantagem dos consumos e consequentes benefícios para as emissões. Realmente há algo de novo e válido no mundo automóvel a marcar o “renascimento” dos motores a gasolina! Esta versão tem preços a partir dos 19 mil euros o que, face ao equipamento proposto, é outra agradável novidade.


É vulgar, na Ford, as primeiras edições de cada novo modelo ou versão estarem recheadas de equipamento. O novo Focus 1.0EcoBoost Edition não é excepção: por 19 mil euros (no caso do 5 portas) ou 17750 euros (carrinha), mais as habituais despesas administrativas e de transporte, qualquer destas formas de carroçaria contém, de série, o ar de condicionado automático, os quatro vidros e os retrovisores eléctricos, as jantes especiais de 17 polegadas, o sistema de abertura de portas e ignição sem chave, o computador de bordo, o rádio/CD com Bluetooth e porta USB, a consola central e o volante forrados a pele, os faróis de nevoeiro e ainda um lote apreciável de equipamento de segurança e de auxílio à condução: airbags frontais, laterais e de cortina, controlo electrónico de estabilidade, sistema de controlo em curva, controlo automático da velocidade com limitador de velocidade, sistema de assistência ao arranque em subida e, mais uma vez, etc., etc. etc…. Fica apenas de fora deste lote a pintura metalizada.

Cilindrada beneficia o preço

Para que os leitores não estranhem a forma nada usual de começar o texto de um ensaio, importa explicar que a razão para o fazer está na novidade mais importante desta versão: um motor a gasolina de somente 1,0 litro, grande responsável de, por este preço, ser possível incluir tanto equipamento.
É que, em países onde os impostos sobre os automóveis novos são calculados a partir da cilindrada e do nível de emissões, um motor com apenas 998 cc e emissões de 117 g/km é uma clara vantagem - de alguns milhares de euros - sobre a concorrência.
Contudo, essa vantagem não faria grande sentido se não existisse qualquer validade nesta versão.
Ora no ensaio realizado à variante carrinha, aquilo que rapidamente se constata é a espantosa resposta que este motor começa a dar ainda antes das 1500 rpm, estendendo esse poder durante uma faixa de regime bastante ampla. O que torna o seu desempenho muito semelhante ao de um propulsor a gasóleo.

Desempenho meritório, consumos controlados

Mesmo que se pressintam maiores dificuldades com carga ou ao enfrentar percursos mais inclinados, a belíssima desmultiplicação da caixa de seis velocidades socorre rapidamente qualquer necessidade de força extra.
Em estrada, embalado e em percurso plano, a elasticidade do motor volta a surpreender, recuperando, fácil e naturalmente, sem grande trabalho com o manípulo das mudanças.
Fácil de dirigir, apenas a direcção parece um pouco mais leve do que a das restantes versões, eventualmente devido ao peso menor que incide sobre a dianteira ou por causa de pneus de baixo atrito que equipam a versão.
Com grande parte do teste a fazer-se fora da cidade e com um andamento dentro dos limites da lei, a Ford Focus 1.0 Ecoboost SW lotada estabeleceu, no final do ensaio, um consumo médio de 6,2 litros. Acima dos 5,1 indicados pela marca, mesmo assim bastante razoáveis face ao modo como decorreu o ensaio.

Beleza, conforto e versatilidade

Em matéria de conforto ou versatilidade do interior permanecem válidos os argumentos apontados NESTE texto.
Efectivamente a carrinha ganha claramente em beleza e funcionalidade à versão de 5 portas e, aquilo que se perde em capacidade da mala face a alguma concorrência neste segmento, ganha-se em agilidade de condução graças a uma estrutura mais compacta. Mas viaja-se com conforto mais do que bastante, até mesmo nas difíceis estradas portuguesas.
Os momentos de estacionamento podem tornar-se ainda um momento de espanto para alguns dos ocupantes das versões equipadas com sistema automático de estacionamento, um extra incluído no Pack Driver II (700 euros): basta ir respondendo aos movimentos de andamento pedidos pelo sistema, para este se encarregar, sem mais intervenção humana, de efectuar as manobras de direcção necessárias para parquear o veículo no espaço desejado.

Como tudo isto é possível

O mercado automóvel europeu tem vindo a assistir a um “downsizing” dos motores a gasolina.
A razão está no aumento das exigências ambientais, mais rigorosas para os motores a gasóleo que, por causa de isso, são obrigados a dispor de elaborados e dispendiosos filtros para retenção de partículas nocivas para o ambiente. Algumas dessas matérias com efeitos cancerígenos no ser humano.
Por outro lado, a aproximação de preço entre os dois combustíveis está também a contribuir para fazer regressar o interesse aos motores a gasolina, menos poluentes e cada vez mais eficientes em termos energéticos.
No caso do Ford 1.0 EcoBoost é a pressão e precisão da pulverização do combustível para o interior do motor, aliado à compressão dos gases pela acção de um pequeno turbo, que permite apresentar índices de potência e de eficiência de combustível até há pouco impensáveis num bloco de somente 998 cc: 125 cv e um binário de 170 Nm disponível entre as 1400 e as 4500 rpm, ou de 200 Nm obtidos momentaneamente por efeito “overboost”.
Outros factores concorrem para a economia e rapidez do conjunto: um motor de 3 cilindros pequeno e leve e ainda um conjunto de melhoramentos aerodinâmicos, como o sistema de fecho activo da grelha dianteira.
Durante o andamento, a aplicação Ford Eco Mode “treina” o condutor para uma condução ecológica, através de gráficos no painel de instrumentos ou dos préstimos de uma luz que avisa a altura certa para troca da mudança.
ESTE texto oferece mais explicações quanto ao modo de funcionamento do motor que em breve equipará grande parte da gama da Ford.

Dados mais importantes
Preço (euros):19 000 (5 p.)/19.750 (SW) (*)
Motores998 cc, 3 Cil./12 Valv., 125 cv às 6000 r.p.m., 170 Nm das 1400 às 4500 rpm (200 Nm em overboost), injecção directa, turbo de baixa inércia
Prestações
193 km/h, 11,5 seg.
Consumos (médio/estrada/cidade)5,1 / 4,4 / 6,4 litros
Emissões Poluentes (CO2)117 gr/km
(*) sem despesas administrativas e de transporte

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4 comentários:

  1. Comprei a versão 1.0 Ecoboost, carrinha, em Abril passado.
    E já me arrependi!
    Os consumos, a andar em modo poupança (baixa rotação, privilegiando a quinta e a sexta, superam os 8 litros aos 100. E chegam a atingir os 10 litros aos 100.
    Fiz um teste real de consumo (2 depósitos cheios), e a média de consumo foi de 10,2 litros aos 100!
    O concessionário vendedor diz que não pode ser!
    O defeito é meu! Que já vou no oitavo carro e fiz alguns milhões de quilómetros!

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  2. Boa tarde,

    Só pode ser algum defeito mesmo, porque a minha SW 125 cv de maio deste ano está com uma média, após 5.000 kms, de 6,7 l/100 km. Mais contente não podia estar com este fantástico carro...

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  3. Comprei uma Focus SW 125 cv há pouco mais de um mês.

    Também estou bastante desapontando com o consumo.

    Na publicidade, anunciam um consumo combinado de 5 l/100km, mas o computador de bordo não desce abaixo dos 6.4. Tipicamente anda entre 6.4 e 6.6. Esta diferença, relativamente ao publicitado, já é bastante má.

    Mas pior resultado obtenho fazendo eu os cálculos. Em duas experiências em que atestei o depósito no início e no fim, obtive estes resultados:

    18.56 litros, 243 km => 7.6 l/100km
    45.15 litros, 623 km => 7.3 l/100km

    É mau demais. Não só a publicidade é completamente enganadora, como o próprio computador de bordo está programado para disfarçar a fraude.

    Tenho uma condução perfeitamente normal, e tive antes outro Ford Focus, de 1999, cujo consumo era muito parecido, mas nessa caso a publicidade não tinha sido enganosa.

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    1. Os Consumos de homologação são sempre mais baixos, em qualquer marca é assim!

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