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HISTÓRIA: Mini e Sir Alec Issigonis

Os carros não se medem aos palmos!

Há de todos os tamanhos e feitios embora a ideia inicial fosse fabricar um automóvel pequeno, simples e barato. Foi e continua ainda a ser preferido por gente de todas as idades e classes sociais, símbolo de uma época e o mais desportivo de todos os carros populares. 


No final da década de 50, a conservadora indústria automóvel britânica vivia dias delicados.
Com sobranceria e muita arrogância, atitudes tipicamente britânicas face ao que é seu, esta indústria encarava com alguma relutância a necessidade de inovar.
Isso originava que a maioria dos automóveis ingleses mais populares começasse a apresentar uma clara desactualização técnica perante outros do mesmo género, como o Volkswagen, o Fiat 600, o Renault 4 cv ou o Citroen 2 cv.
A crise de petróleo motivada pela disputa do canal do Suez e o consequente aumento do preço dos combustíveis, obrigou o presidente da BMC — British Motor Company, o maior grupo inglês do ramo automóvel —, a pensar na necessidade de dispor de um carro tecnicamente evoluído e diferente em termos do estilo. Sobretudo, que fosse fácil e barato de produzir, económico em termos de consumos e manutenção, sem que isso obrigasse a grandes concessões de espaço, conforto ou prestações.
Estávamos em 1957 e, como se pode depreender pelas imposições do caderno de encargos, não era tarefa fácil.

Origem grega

Tratava-se de conceber um automóvel de dois volumes, com não mais de três metros de comprimento e capacidade para quatro adultos e ainda alguma carga.
O truque para que tal fosse possível, consistia em colocar um pequeno motor de 848 cc — já existente, comprovadamente fiável e simples de reparar —, em posição transversal, à frente, juntamente com a caixa de velocidades. Juntamente com a tracção dianteira, isso possibilitava que 80 por cento do volume do carro pudesse ser aproveitado para o habitáculo e bagageira e libertava o espaço habitualmente ocupado pelo veio de transmissão às rodas traseiras.
Uma carroçaria monobloco, rodas de dez polegadas que baixavam o centro de gravidade, suspensões com rodas independentes e blocos de borracha (menos espaçosos e mais baratos), asseguravam-lhe, à época, uma notável estabilidade direccional e um comportamento em curva extraordinariamente preciso e muito divertido.
O autor de todo este engenho e criador do carro inglês mais famoso de sempre, a ponto de ficar logo atrás do Ford T como carro do século XX seria, no entanto, um turco chamado Alexander Arnold Constantine Issigonis.
Mais tarde distinguido Sir Alec Issigonis, era filho de pai grego e mãe alemã, tendo nascido na Turquia em 1906 mas feito os seus estudos de engenharia em Londres.
Após a passagem por algumas empresas mecânicas, viria a conceber para a Morris, o Minor, o primeiro carro inglês a ultrapassar o milhão de unidades vendidas. Antes de ingressar na BMC, em 1955, teve ainda uma curta passagem pela Alvis, onde começa a esboçar os contornos de um automóvel de pequenas dimensões.


David contra Golias

Outros artifícios demonstram, ainda hoje por continuarem a ser utilizados, uma notável habilidade: a posição central dos instrumentos torna o habitáculo menos acanhado e provoca a ilusão de maior profundidade em relação ao condutor, além de criar espaço para objectos de variados tamanhos; a porta da bagageira abre de modo a poder ser utilizada como prateleira no transporte de volumes de maiores dimensões; e as rodas traseiras, colocadas nos extremos da carroçaria, não interferem no espaço deste banco.
A produção inicia-se a 8 de Maio de 1959. A 26 de Agosto, fez ontem 50 anos, o público conhece finalmente o Austin Se7en ou Morris Mini-Minor, consoante a marca do grupo BMC por que era comercializado.
Ao câmbio actual, o preço na Inglaterra rondava os 140 contos. Em Portugal, em 1960, não chegava aos 48 contos.
O Mini viria a conhecer inúmeras versões oficiais, entre as quais uma carrinha designada Countryman ou Estate, uma pick-up e o muito popular Mini-Moke.
Produzido até ao dealbar do novo século, mesmo quando já se encontrava profundamente desactualizado, a versão mais querida dos seus fãs continua a ser aquela que, inicialmente, maior relutância levantou quanto à sua produção no grupo BMC: o Cooper.
Criada por John Cooper, um especialista mecânico responsável pela preparação de carros e motores para competição, viria a portar-se nas pistas como um autêntico David contra Golias, ao impor, com todo o atrevimento, a sua agilidade contra o tamanho e maior potência dos seus adversários.

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