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ENSAIO: Renault Scénic XMOD 1.5 dCi/110 cv

O apertar das normas ambientais europeias em matéria de emissões e consumos, bem como a necessidade de actualizar um dos seus modelos mais populares, levou a Renault a empreender uma ligeira renovação estética da gama Scénic. No essencial, as alterações exteriores passaram por um “lavar de cara”, com a nova identidade de design da Renault a surgir de modo mais convincente e acompanhada por faróis LED com uma assinatura luminosa exclusiva. Contudo, três novidades surgiram com o modelo: novos motores, incluindo propostas a gasolina de 1,2 litros, com 115 ou 130 cv, bem como o motor diesel 1.6 de 130 cv, a introdução na gama do sistema de conectividade e entretenimento R-Link e o aparecimento de uma versão mais radical e com propensão para a aventura designada XMOD. É exactamente sobre ela que se debruça este texto.

Não é a primeira vez que este monovolume médio ganha uma versão com aspecto mais destemido. Em 2000, o Scénic RX4 dispunha de tracção integral e aparência de um pequeno SUV, caracterizando-se por ter o pneu suplente colocado na porta da mala por causa do espaço ocupado pelo diferencial traseiro.
Ao contrário daquele, o Scénic XMOD não é um modelo de 4 rodas motrizes. Disponível apenas na carroçaria mais curta, de 5 portas, conserva a tracção dianteira, embora venha equipado com um novo e avançado sistema de controlo de tracção designado “Extended Grip” ou “Grip Control”.
O que este maquinismo faz é gerir de forma automática as necessidades de tracção, para melhorar a aderência nas condições mais complicadas. Cabe ao condutor do Scénic XMOD decidir, através da activação manual de um comando localizado na consola central, entre três diferentes modos de assistência.
O modo “estrada” corresponde às regulações clássicas de um sistema anti-patinagem e activa-se automaticamente quando a velocidade atinge os 40km/h.
O modo “solo escorregadio” optimiza os controlos dos travões e do binário do motor, em função das condições de aderência.
Por fim, no modo “expert”, o dispositivo faz a gestão do sistema de travagem, deixando ao condutor a gestão total do controle do binário do motor.
Este dispositivo funciona associado a pneus de 16 polegadas (205/60 R 16) com uma banda rolante capaz de assegurar maior aderência. A designação destes pneus específicos é “M&S - Mud & Snow” – ou seja, “lama e neve”.

Da estética ao desempenho

Com a aparência exterior de um crossover, o novo Renault Scénic XMOD acrescenta, à versão “civil”, diversas protecções na carroçaria, uma maior altura ao solo (mais 3 cm) e uma nova e exclusiva cor exterior, tal como acontece com as jantes em liga ou as barras cromadas no tejadilho.
Mas, apesar da aparência mais robusta e aventureira, o sistema de controlo de tracção não faz do XMOD um pequeno todo-o-terreno. Revela-se, isso sim, útil perante condições de aderência mais complicadas devido à presença de água, neve ou gelo.
Algumas incursões fora de estrada efectuadas para testar o seu desempenho não transmitiram grande confiança ou sequer impressões conclusivas. A maior altura ao solo não é assim tão elevada que permita um elevado à-vontade durante a condução por terreno mais irregular que provoque bruscas oscilações verticais do conjunto.
Além disso, os ângulos de ataque e saída também não são os de um todo-o-terreno.
Se é verdade que a possibilidade de escolher modos de tracção distintos, consoante as condições, aumente efectivamente a tracção em situações não muito complicadas, ela acabou por se revelar mais útil perante descidas com forte inclinação do que propriamente a trepar.
Em poiso escorregadio ou lamacento existe um efectivo o prolongar do livre curso de uma das rodas enquanto a outra procura por tracção mas, como salientei anteriormente, trata-se de uma função que me parece mais útil para climas com maior incidência de neve ou gelo na estrada.

Não deixa de ser um monovolume económico

Apesar da ligeira quebra aerodinâmica e do maior esforço a que foi sujeita, a versão testada, equipada com o conhecido motor diesel 1.5 DCi de 110 cv, primou pela economia dos consumos. A média durante o ensaio andou invariavelmente abaixo dos 5,5 litros, mostrando ser motor suficiente para conseguir imprimir vários tipos de andamento ao Scénic XMOD.
Interiormente as soluções são menos radicais do que o exterior sugere. As novidades são o comando de activação do sistema Extended Grip” e a introdução do dispositivo “R-Link”, a plataforma multimédia que congrega as funções áudio, de navegação e de conectividade, controladas a partir de um ecrã táctil. (este e mais detalhes constam no TEXTO DE APRESENTAÇÃO do modelo)
Neste ecrã podem também ser visionadas imagens provenientes da câmara de estacionamento traseiro. De salientar que tanto um como outro constituem opções que encarecem o preço final da versão. O mesmo acontece com o pneu suplente, sendo que de série é proposto apenas um kit anti-furo.
No restante, o XMOD é um Scénic. Significa isso manter toda a versatilidade e funcionalidades deste popular monovolume, desde o conforto do espaço a bordo, à comodidade do andamento e da sua condução. Neste aspecto não se observou qualquer constrangimento pelo facto de ser mais alto, quer no que respeita ao conforto como, sobretudo, à estabilidade. Em grande medida, isso deve-se ao perfil mais elevado dos pneus contribuir para uma maior capacidade de amortecimento, mas também ao ligeiríssimo alargamento das vias dianteira e traseira.
Além de se manterem os típicos espaços colocados sob o piso ou os tabuleiros de serventia aos lugares traseiros laterais, uma vez que a zona da retaguarda do chassis não sofreu qualquer alteração, também foi conservada a capacidade da mala. A bagageira reserva os mesmos 437 litros de capacidade de volumetria bem esquadrada, ampliáveis através do rebatimento ou remoção de um ou dos 3 bancos individuais traseiros com acção independente (até 1837 litros).
Na realidade, em termos de espaço, conforto ou funcionalidades, salvo as já referenciadas, o Scénic não registou alterações significativas.
Sob o piso da mala é possível ainda guardar pequenos objectos.
O XMOD está também disponível com os motores 1.2 TCe de 115 cv a partir de 25080 euros ou de 130 a partir de 26.950 euros. A versão Sport equipada com o bloco a gasóleo 1.6 dCi de 130 cv tem preços a partir 32080 euros, em qualquer dos casos com pintura metalizada incluída, mas sem as habituais despesas de preparação e averbamento.

Dados mais importantes: Energy 1.5 dCi 110 S&S FAP ECO2
Preço (euros):
28.080 (Expression) (*)
Motores
1461 cc, 4 cilindros/8 V, 110 cv às 4000 r.p.m., 260 Nm às 1750 rpm, turbo de geometria variável, injecção common rail
Prestações
180 km/h, 12,5 seg.
Consumos (médio/estrada/cidade)
4,1 / 3,9 / 4,5 litros
Emissões Poluentes (CO2)
105 gr/km
(*) Inclui pintura metalizada. Acrescem despesas administrativas e de transporte

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