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ENSAIO: Mercedes-Benz Classe C 180 BlueTEC (MY 2015)


O Mercedes-Benz Classe C recebeu em 2014 um motor a gasóleo com cilindrada mais baixa: 1598 cc. Com 115 ou 136 cv consoante as versões (C180 ou C200), este motor permite-lhe preços de aquisição e de utilização mais acessíveis. Mas esta mecânica não está disponível em todos os mercados e não foi originalmente concebida dentro do grupo alemão. Até que ponto o construtor está a pôr em risco o seu prestígio com esta decisão? É o que vamos tentar descobrir na análise ao Mercedes-Benz C180, além de perceber as razões do grupo alemão para tomar uma decisão aparentemente tão arriscada

O Mercedes-Benz Classe C de 2014 distingue-se por duas características: é mais leve e aerodinâmico, sendo neste último pormenor ajudado por linhas mais modernas, bastante fluídas e, por isso mesmo, também bastante dinâmicas.

Foi principalmente a conjugação destes dois factores que permitiu equipá-lo com um motor mais pequeno, sem colocar em causa a dinâmica do andamento.

Para isso foi buscar o motor 1.6 a gasóleo da Renault (utilizado também pela Nissan e até pela Opel no comercial Vivaro), um bloco com provas dadas em modelos com estruturas e pesos bastante diferentes.

A utilização deste motor expandiu ainda mais a parceria entre os construtores francês e alemão. Dentro do grupo Daimler as classe A e B da Mercedes-Benz utilizam os blocos diesel 1.5 da marca francesa e os novos smart foram desenvolvidos conjuntamente com o mais recente Renault Twingo.

Para particulares e empresas, as vantagens da Mercedes-Benz ao utilizar um motor com cilindrada mais baixa são óbvias: preço de aquisição mais reduzido em mercados onde a capacidade cúbica “pesa” nos impostos, o que em Portugal significa um PVP teoricamente abaixo dos 40 mil euros. Ou um pouco acima no caso da versão 200 CDI com 136 cv. 

A cilindrada mais baixa tem igualmente reflexos no imposto anual de circulação (IUC).

A tudo isto acresce uma suposta economia de consumos e de emissões.

O MB C180 é mesmo mais económico?


Começando exactamente pela última questão, os benefícios de consumos não são nada evidentes.

A culpa disso acontecer é a comparação inevitável que se estabelece com a motorização seguinte, essa sim, nada e criada no seio do construtor alemão. Embora com 2143 cc e 170 cv, o Mercedes-Benz Classe C 220 BlueTEC é efectivamente excelente em matéria de consumos. Cheguei ao final do ensaio ao MB C220 com uma média de 5,5 litros, precisamente o mesmo valor que atingi com o MB C180 BlueTEC.

Contudo, aquilo que importa reter é que esta versão permite um diferencial de preço muito vantajoso: cerca de seis mil euros a menos face à versão a gasóleo seguinte.

É também importante realçar que, apesar de se tratar de um motor com cilindrada e potência menos elevadas, o desempenho confiante que se espera encontrar em qualquer carro proveniente deste construtor alemão não é posto em causa.

É no entanto evidente que o conjunto tem uma vocação mais familiar ou empresarial. Mas atenção: longe de ter uma desenvoltura arrastada, o Mercedes-Benz C180 de 2014 movimenta-se bem graças aos factores de peso e aerodinâmicos já referidos, mas também à desenvoltura de binário que uma transmissão de seis velocidades sabe tirar partido.

Familiar também em termos de conforto?


O grupo alemão tem feito evoluir a oferta dos seus produtos em termos dinâmicos, e a verdade é que isso às vezes é conseguido com sacrifício das capacidades de conforto.

Isso poucos reflexos tem em boas estradas e na realidade também houve uma grande preocupação com a insonorização, embora em termos aerodinâmicos seja perceptível alguns efeitos da deslocação do vento na zona das portas.

Talvez por existirem menos exigências dinâmicas, o MB C180 BlueTEC flui bem em quase todas as superfícies, em grande parte graças a uma suspensão dianteira que foi muito melhorada para aumentar a aderência e tornar mais precisa a resposta da direcção eléctrica.

Na realidade, o desempenho da suspensão ((tal como na traseira é utilizado sistema multi-link com sistema de amortecimento selectivo) parece-me mais brando do que o MB C220 BlueTEC ensaiado anteriormente. Isto pode explicar a razão do C180 castiga menos os ocupantes quando o estado do piso se degrada, situação que às vezes nem a boa constituição dos assentos consegue colmatar.

O mesmo não se pode dizer dos encostos dianteiros, pela falta que faz melhor apoio lombar no banco do condutor. Ou o facto de condutores com menos estatura poderem encontrar dificuldades de adaptação. É que apesar da regulação em altura do banco e do volante (também em profundidade neste último caso), a postura melhor adaptada à condução do classe C é uma posição de condução mais rebaixada.

O espaço interior é suficientemente desafogado sem surpreender. O banco traseiro é claramente vocacionado para dois ocupantes devido à extensão do túnel e da consola central.

Os 480 litros de capacidade da mala do Mercedes-Benz C180 alinham na média da classe e oferece fundo duplo para acondicionar pequenos objectos e o kit anti-furo. É que o pneu suplente não faz parte do equipamento de série.

A Mercedes-Benz Classe C Station 
tem naturalmente uma mala mais versátil e ligeiramente maior:
490 a 1510 litros

Quem quer tecnologia tem que pagar à parte


O estilo e a classe da marca alemã sobressaem no interior mas sem grande evidência. A disposição e o formato de alguns instrumentos segue a configuração clássica da marca alemã, neste caso com um nada conservador e até muito actual painel táctil a sobressair no centro do tablier. Além de uma leitura fácil, este ecrã permitiu introduzir equipamento moderno, principalmente multimédia, um factor bastante importante para as ambições do grupo alemão.

É que ao aliar uma versão mais acessível a um design menos clássico e conservador do que os Mercedes-Benz de há umas décadas, a marca alemã quer também conquistar adeptos mais jovens e com necessidades tecnológicas em actualização permanente.

Algo que a Mercedes-Benz tem capacidade de oferecer e efectivamente já o faz. Mas pagas à parte.

Aliás, para conseguir ter um “C” por um valor baixo há a necessidade de sacrificar muita coisa: nas versões "base" o encosto do banco traseiro é fixo, ou seja, sem rebatimento. O que impossibilita transportar objectos mais longos, por exemplo.

Mais detalhes de equipamento no TEXTO DE APRESENTAÇÃO do Mercedes-Benz Classe C 2014

Por que é que a Mercedes-Benz tem um Classe C com motor 1.6?


Nos anos mais recentes, a Mercedes-Benz modernizou o Classe A e revolucionou o Classe B, tornando-as não apenas mais competitivas como mais atraentes, de modo a conquistar novos clientes. Os resultados estão à vista: estas gamas de entrada já são os modelos mais vendidos pela marca de Estugarda no espaço europeu.

O passo seguinte mais natural foi renovar o Classe C, dotando-o de uma imagem mais jovem e terrivelmente mais dinâmica, ganhando peso com novos métodos de construção e uso de materiais mais leves, não só para melhorar a eficiência, como para permitir que o conjunto pudesse receber motores mais pequenos.

Com esta versão em particular, há uma vontade evidente de disputar mercado com construtores mais generalistas. Como? Associando o “status” intrínseco de todos os modelos da estrela a um design mais moderno e apelativo, tudo isto por um valor mais acessível.

Na realidade uma dupla economia: de preço e de utilização, porque se trata de um motor de cilindrada menos elevada, facto que até alguns dos seus habituais rivais neste mercado não dispõem.

Mas que necessidade tem o construtor alemão enveredar por esta via? Como atrás já se disse, uma das razões, talvez a mais importante, captar consumidores mais jovens, por enquanto com menos posses mas com potencial de fidelização à marca.

Alguns dos novos clientes do MB C180 podem até provir do primeiro passo que o fabricante encetou há mais de uma década, quando criou as classes A e B. Estes modelos geraram uma penetração significativa da marca em sectores de mercado mais acessíveis, contribuindo decisivamente para fazer descer a idade média do cliente habitual da Mercedes-Benz.


Dados mais importantes
Preços (euros)
A partir de 39.150
Motor
1598 cc, 4 Cil./16 V, 115 cv das 3000 às 4600rpm, 280 das 1500 às 2800 rpm, injecção directa common rail, turbo com geometria variável, intercooler
Prestações
205 km/h, 11,1 seg. (0/100 km/h)
Consumos (médio/estrada/cidade)
3,8 a 4,2 / 3,4 a 3,7 / 4,5 a 4,9 litros
Emissões Poluentes (CO2)
99 a 109 gr/km

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