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ENSAIO: Mercedes-Benz CLS Shooting Brake 250 CDI

Há formas automóveis pelas quais nos apaixonamos ao primeiro olhar. Com uma silhueta que sugere um coupé e uma traseira prolongada que denuncia faculdades de uma “station”, esta “ Shooting Brake” é um desses casos. Versão carrinha da gama CLS, ela junta uma personalidade tão própria quanto exclusiva a um irresistível e sedutor apelo dinâmico. Com o CLS Shooting Brake a Mercedes-Benz volta a dar mostras de grande criatividade e audácia. Mas para perceber o conceito e entender o que este modelo significa há que mergulhar nas origens da designação “Shooting Brake”. Além de explicar isso, analisa-se um carro que tem partes da carroçaria em alumínio, custa no mínimo 75 mil euros e pode ter o piso da bagageira em madeira para simular o de um barco…

Quando se olha para a gama actual de modelos da marca germânica, é com espanto que se descobre a abrangência e a oferta deste construtor.
Desde um novo Classe A mais desportivo ao luxuoso Classe S, sem esquecer os SUV, os puros TT e as diversas variantes mais ou menos comerciais, são quase três dezenas de formatos de carroçaria diferentes. Ou mais se contabilizarmos à parte as versões AMG.
Ora se algumas destas formas se tratam simplesmente de versões de 3, 4 ou 5 portas e carrinhas da mesma “Classe”, outras há que, apesar da designação, derivam de classes diferentes. É o caso do CLS que estruturalmente deriva do Classe E, embora diversas alterações na suspensão e na direcção tenham resultado num conjunto bastante mais ágil e dinâmico. No caso da “Shooting Brake  há ainda que acrescentar uma suspensão traseira pneumática auto-nivelante, uma vantagem que lhe garante, independentemente da carga, um comportamento e uma estabilidade absolutamente excepcionais.

“Shooting Brake” por quê?

As suas formas exteriores chamam logo à atenção.
É graças a elas que a Mercedes procura cativar quem deseja a funcionalidade de uma carrinha escondida sob uma carroçaria de aspecto diferente e indiscutivelmente atraente.
Mas para tentar entender o carro e o conceito há que ir às origens da sua designação: “Shooting Brake”.
Em Inglaterra, no início do seculo XIX, “Brake” foi a designação dada às carruagens que eram utilizadas para habituar cavalos selvagens. Limitando (ou “travando”) os seus impulsos e movimentos, este treino permitia que pudessem vir a ser usados como animais de trabalho.
Dada a sua robustez destas carruagens, elas serviam igualmente como veículos de transporte e muitas delas foram mesmo configuradas para serem utilizadas em caçadas.
Foi por causa desta última função que passaram a ser conhecidas como “Shooting Break” ou “Shooting Brake”.
Durante as décadas de 60 e 70 do século passado, igualmente em Inglaterra, alguns automóveis receberiam esta designação. A maioria desportivos, com duas portas e silhueta de coupé, combinavam luxo com um compartimento de carga mais espaçoso e uma porta traseira maior. Embora algumas marcas inglesas ou carroçadores independentes tenham apresentado as suas próprias versões, curiosamente, um dos carros mais famosos da altura com estas características, não era britânico: trata-se do Volvo 1800ES, um conceito anos mais tarde recriado pela marca sueca com o C30.

Presença exterior desafiadora e desportiva

Temos portanto uma componente essencialmente desportiva a presidir a todo o conceito.
É por isso que, apesar da “Shooting Brake” apresentar alguma funcionalidade e carácter mais prático equivalentes ao de uma carrinha, estas características estão praticamente resumidas ao espaço de carga e à abertura mais ampla do respectivo acesso.
Com uma superfície vidrada lateral estreita e um tejadilho que desce para a traseira invocando o de um coupé, todo o conjunto é rebaixado, privilegiando a aerodinâmica e uma atitude mais desportiva.
Graças a isto, o coeficiente aerodinâmico é um dos mais favoráveis. Mas para melhorar ainda mais o seu desempenho, a Mercedes reduziu peso introduzindo alumínio em alguns painéis da carroçaria e da sua estrutura
Apesar de tudo, o peso do modelo mais leve ronda os 1900 kg.
Porque, no interior, não foram feitas concessões!

Habitáculo luxuoso e distinto

A versão mais acessível - 250 CDI -, equipada com motor diesel de 2143 cc com 204 cv, custa mais de 75 mil euros.
Ora se este valor não está ao alcance da maioria das bolsas portuguesas, é o mínimo preço a pagar pela sua exclusividade. E também por uma qualidade que, em tudo, é equivalente à Série E, desde a nobreza dos materiais à qualidade de construção, passando pelo cuidado e pelo bom gosto que são típicos da marca.
Quem queira ou possa desembolsar mais uns milhares, pode ainda optar por uma das inúmeras configurações ou pelo uso de outros materiais nobres, como a madeira, na decoração.
Quanto à habitabilidade, o espaço interior da Shooting Brake é claramente orientado para 4 ocupantes. Isto apesar do banco traseiro poder albergar três passageiros - ao contrário do que acontece no CLS – por causa da forma do assento e da menor altura que existe entre este e o tejadilho. Mesmo assim mais elevada do que no carro.
Face ao CLS, a variante “Shooting Brake” acrescenta duas vantagens imbatíveis: maior capacidade da bagageira, 590 litros, extensíveis até aos 1550 litros com o rebatimento dos assentos traseiros e melhor acesso à zona de carga, mercê de uma porta naturalmente maior e com funcionamento automático.
Se tivermos em linha de conta que se trata de um carro com quase cinco metros de comprimento, o interior do Mercedes-Benz CLS Shooting Brake não é propriamente amplo. Mais uma vez se recorda a intenção de privilegiar a aerodinâmica e o facto de se tratar de um carro baixo (o que obriga a uma frente longa) e com pouca superfície vidrada lateral, capaz de fazer atenuar a dimensão do habitáculo e de obrigar a baixar mais a cabeça para entrar.
Contudo, lá dentro, o espaço que oferece é suficiente para encontrar uma boa posição de condução ou viajar confortavelmente.
Quem se senta nos confortáveis bancos dianteiros com múltiplas regulações, a impressão mais acentuada passa a ser a qualidade e o cuidado dos revestimentos, a classe tradicional de alguns instrumentos como o relógio, por exemplo, ou o toque funcional dos comandos. Quanto a estes, a maior evolução que notei acabaria, no entanto, por ser a disposição do manípulo de controlo da velocidade de cruzeiro, colocado numa posição mais baixa que já não se confunde com o manípulo do “pisca”.
Várias possibilidades de configuração permitem eleger os revestimentos e as aplicações ao gosto individual do comprador, incluindo acabamentos em madeira, nomeadamente no piso da bagageira.
Mas, para mais pormenores, consulte o texto de apresentação do modelo que se encontra AQUI.

Comportamento que privilegia o desempenho

O uso do alumínio para tornar mais leve a sua estrutura e uma aerodinâmica bastante favorável, permitem que o CLS Shooting Brake 250 CDI apresente valores de emissão e consumos efectivamente baixos para a cilindrada e potência deste motor.
Em parte, isso é possível devido à presença da caixa automática de sete velocidades (com comando atrás do volante, à “americana”, bastante rápida e totalmente imperceptível a trocar de velocidade) e da função start/stop, que permitiram homologar esta versão com 139 gr/Km CO2 e um consumo combinado de 5,3 l.
Na realidade, no final do ensaio, este último valor ficou um pouco acima dos 7 litros.
Contudo, foi impossível resistir a fazer uma condução mais dinâmica e menos poupada, tendo nas mãos o volante de um carro com o potencial dinâmico, a agilidade e o prazer que demonstra em ser conduzido que este carro revela.
Com uma suspensão concebida exactamente para transmitir este género de sensações, uma nova direcção electromecânica contribui também para isto, mas igualmente para alguma poupança dos consumos e para permitir que este Mercedes possa dispor de um sistema de estacionamento automático.
Mais detalhes sobre motores, características e equipamento estão no texto de apresentação do modelo que se encontra AQUI.

Dados mais importantes
Preços desde
Desde 73 550 euros
Motor
2143 cc, 4 cil/16 V, 204 cv às 4200rpm, 500 Nm das 1600 às 1800 rpm, common rail, turbo de geometria variável, intercooler
Prestações
242 km/h, 7,5 seg. (0/100 km/h)
Consumos (médio/estrada/cidade)
5,3 a 5,4 / 4,8/ 6,4 litros
Emissões Poluentes (CO2)
139 a 143 gr/km

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