Dakar 2013: Balanço final da prova e da participação dos portugueses

Terminou mais uma edição da mítica prova de todo-o-terreno e a presença portuguesa está de parabéns. Ruben Faria, nas motas, foi segundo e Carlos Sousa repetiu o sexto lugar em condições mais difíceis do que o ano passado. Hélder Rodrigues foi sétimo com a sua Honda CRF 450 Rally, não obtendo melhor resultado na classificação por causa da juventude do projecto. Contudo, houve mais portugueses intervenientes: nas motas Paulo Gonçalves ficou em 10.º Mário Patrão em 30.º e até Pedro Bianchi Prata, que esteve em riscos de falhar o Dakar por falta de patrocínios, conseguiu chegar ao final da prova. Ainda que não ao volante, mas no lugar do lado, outro português, Paulo Fiuza, “navegou” o BMW do argentino Orlando Terranova até ao quarto lugar entre os automóveis.

Carlos Sousa não estava muito optimista quanto à sua participação no Dakar deste ano, mas conseguiu repetir o brilhante sexto lugar do ano passado. Na realidade, esta posição foi em parte possível graças ao desastre que foi a presença dos “Buggy” (incluindo o do espanhol Carlos Sainz) ou a má prestação do americano Bobby Gordon com o sempre impressionante Hummer.
Nada disto retira o brilhantismo do sexto lugar de Carlos Sousa, que impôs a regularidade e a sua enorme experiência a alguma falta de competitividade do Haval da equipa Great Wall.
Carlos Sousa é, sem dúvida, um dos melhores pilotos de todo-o-terreno da actualidade. Com uma equipa jovem, sem experiência e sem a capacidade, o conhecimento e a “rodagem” de outros conjuntos, Carlos Sousa e Miguel Ramalho voltaram a repetir a posição da edição anterior, deixando o outro piloto da equipa chinesa Great Wall no 19.º lugar.
Por fim, nos automóveis, Paulo Fiúza foi um dos responsáveis pela brilhante quarta posição do Toyota do argentino Terranova, mas também pela vitória do conjunto em algumas etapas. No ano passado, o navegador português fez equipa com Ricardo Leal dos Santos, terminando a edição de 2012 em oitavo lugar.
O francês Peterhansel e a Mini voltaram a vencer, colocando ainda mais dois Minis no terceiro e quarto posto. Um Toyota ficou em segundo e o top cinco fechou com o BMW de Terranova.


Sobre duas rodas

O português Ruben Faria, em KTM, esteve quase a vencer esta edição do Dakar. Isso só não aconteceu porque não é o primeiro piloto da equipa. Por isso, foi obrigado a abrandar quando, à nona etapa, saltou para o primeiro lugar da classificação geral das motas.
A contas com um problema no motor da sua KTM, Cyril Despres só voltou a vencer mais uma edição do Dakar graças à ajuda do português que, nos dias seguintes, diminuiu o ritmo para deixar o francês voltar ao topo da classificação.
A KTM foi mesmo a grande vencedora deste Dakar, ao colocar motos suas nas cinco primeiras posições. Logo a seguir vêm uma Yamaha e a primeira moto da equipa oficial da Honda, tripulada pelo português Hélder Rodrigues.
Assumidamente o piloto número 1 da equipa japonesa, Hélder Rodrigues não conseguiu lutar pelas primeiras posições como na época anterior, fruto da juventude do projecto Honda.
Regressando ao Dakar após muitos anos de ausência, falta ao team Honda a rodagem e o conhecimento mecânico que os principais concorrentes já têm. Com um único teste “ a sério” no Rali de Marrocos, Hélder Rodrigues foi afectado por problemas mecânicos que provocaram um aumento anormal dos consumos da sua Honda CRF450, obrigando-o a diminuir o ritmo para conseguir chegar ao final das classificativas diárias.
Pelo meio ficaram algumas boas classificações em etapas, provando que o projecto tem condições para continuar e que o piloto Dream Team TMN é, garantidamente, o valor mais seguro da equipa japonesa e aquele que está em melhores condições para a ajudar a progredir.


Mais portugueses

Brilhante foi ainda a participação de Paulo Gonçalves, que conseguiu levar a Husqvarna ao décimo posto e chegou a rodar, várias vezes, entre os cinco primeiros ao longo das etapas.
Para quem só queria chegar ao Chile, Mário Patrão superou os objectivos. O piloto de Seia participou no Dakar sem grande estrutura e apenas com experiência em provas de enduro nacionais e algumas internacionais. Conseguiu um brilhante 30.º lugar, com a única mota da Suzuki que conseguiu chegar ao fim.
Mais atrás, na 58.º posição, ficou Bianchi Prata, outro português a correr com uma Husqvarna. A sua participação nesta prova esteve em risco quando, à última hora, os principais patrocinadores retiraram o apoio, obrigando a equipa a um inédito pedido aos portugueses através das redes sociais. Conseguir terminar nestas condições uma prova tão longa e dura, à frente de pilotos com melhores condições de assistência, é, por isso, uma grande vitória. 

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