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ENSAIO: Gama Citroën C-Elysée 1.2 VTi/72 cv e 1.6 HDi/92 cv

A oferta de espaço acaba por ser a característica dominante do Citroën C-Elysée, apesar de esteticamente se revelar também um carro bem conseguido. Proposta muito tentadora para quem dá valor à relação custo/benefício, é uma espécie de modelo “low cost” que a marca francesa encaixa entre os actuais C3 e C4. Daí que, praticamente pelo preço do primeiro (na realidade, o motor 1.6 HDi no C-Elysée é mais barato, mas há que ter em conta o equipamento), este carro ofereça até mais capacidade e praticamente a mesma funcionalidade do segundo. A vantagem de dispor de um terceiro volume, bem integrado na restante silhueta e que lhe permite uma bagageira excelente com 506 litros, torna-o, por isso, numa opção bastante acessível. Face a estes predicados de habitabilidade e recorrendo às soluções mecânicas habitualmente encontradas em modelos do grupo PSA, vamos então tentar perceber que razões subsistem para este carro conseguir um preço que o equipara a um modelo “low cost”.

Construído na fábrica espanhola de Vigo, a par do Peugeot 301, a economia de escala, a simplificação de processos de fabrico, o uso de materiais mais simples, quer nos revestimentos, quer na própria estrutura do carro (notório, por exemplo, no “peso” das portas ou da tampa da mala), tornam o processo de produção menos dispendioso.
Concorrente de modelos como o Seat Toledo AQUI ensaiado, o C-Elysée é produzido também na China, na Rússia e na América Latina. Tal como o carro da marca espanhola, a seu favor, tem o facto de ser um carro global e igualmente destinado a mercados emergentes. Tal facto implica a adaptação - mas também a robustez - de certos componentes, necessariamente preparados para enfrentar condições de utilização mais duras. E ainda intervalos de manutenção mais alargados, peças de desgaste prolongado e revestimentos duráveis e facilmente laváveis.
Do mesmo modo, a redução das cablagens e a aplicação de métodos de montagem (logo, também de substituição) mais simples e mais rápidos podem vir a resultar numa maior fiabilidade dos componentes. Além disso, neste carro a electrónica está quase só reduzida ao essencial, não existindo a possibilidade, nem como opção, de dispor das mais modernas ajudas à condução.
Contudo, existe o essencial de conforto e segurança.

Mecânica comprovada e ajustável

Uma das grandes vantagens quando se ensaiam carros sobre os quais não se depositam grandes expectativas, é a capacidade que muitos têm de nos surpreender.
É o caso flagrante do C-Elysée, o qual não apenas permite uma adaptação rápida à sua condução, como responde honestamente ao que promete. 
Com preços abaixo dos 16 mil euros para a versão equipada com o motor a gasolina 1.2 de 72 cv e consumo misto anunciado de 5,2 litros, foi possível não apenas o ensaio a esta versão, como à motorizada com o bloco HDi 1.6, de 92 cv e caixa de velocidades manual de 5 velocidades.
Pouco há a dizer de novo quanto à atitude deste último motor diesel, sobejamente conhecido e com capacidade mais do que suficiente para animar um conjunto relativamente pouco pesado para as dimensões exteriores do C-Elysée. O consumo médio de 5,2 litros no final do ensaio ficou apenas cerca de 1,0 litro acima do anunciado.
O seu desempenho acaba mesmo por surpreender com a suavidade demonstrada a baixas rotações, apesar de não se tratar de um motor multiválvulas ou de possuir o turbo de geometria variável aplicado nas versões mais potentes desta motorização.
Está ainda razoavelmente bem insonorizado, não desagradando o ruído do motor ou do rolamento, sobretudo em velocidades mais elevadas, porque este não é em demasia e facilmente pode ser abafado pelo rádio.
Com maiores limitações nas acelerações ou na abordagem de percursos demoradamente mais inclinados, a versão a gasolina com 72 cv revela, ainda assim, um desempenho agradável e suficiente para condutores menos exigentes. Mas claro que obriga a um maior trabalho da caixa de velocidades, quase sempre precisa apesar de não muito rápida.
Este motor é o mesmo já ensaiado no Peugeot 208 VTi 82, no C-Elysée com menos 10 cv de potência.
De realçar a moderação de consumos desta mecânica a gasolina, já que estes andaram sempre abaixo dos 6,5 litros. Nesta versão, verifica-se também uma melhor insonorização do habitáculo.

Ai aguenta, aguenta…


Quer num como noutro caso, o equilíbrio do conjunto demonstra claras intenções de privilegiar a segurança e a atitude ao conforto.
Carro muito agradável de conduzir e de adaptação fácil, apesar de não dispor de ajuste em profundidade da coluna da direcção, este Citroën mostra somente um comportamento mais seco da suspensão, que faz temer a integridade do pneu ou da jante perante um ou outro buraco de maiores dimensões.
Uma vez que esta suspensão pode ser ajustada consoante as exigências do mercado a que se destina, certamente que ela foi também concebida para proteger uma direcção (que é eléctrica) e restante estrutura, que se desejam aptas para aguentar muitos quilómetros de maus caminhos.
O tempo o dirá.

Interior simples com pecados de funcionalidade

Se exteriormente e mecanicamente o C-Elysée até nem evidencia muito o facto de se tratar de um modelo de baixo custo, o habitáculo não disfarça tão bem essa tendência.
Logo para começar a presença demasiado óbvia do revestimento plástico e menos macio do tablier ou do forro das portas, embora os materiais acabem por ter um aspecto robusto, bons acabamentos e, lá está, possam ser facilmente limpos.
Outra característica é a colocação dos comandos dos vidros na parte inferior da consola central, de longe o comando menos funcional deste modelo. Já agora, também de acerto dos retrovisores, embora esta função não seja tão assiduamente utilizada quanto os vidros.
Só que estas colocações poupam bastante em cablagens e em manutenção…
Apesar da simplicidade do desenho, não se pode apontar demasiada desactualização dos comandos ou da instrumentação, face aos actuais padrões europeus. Este Citroën pode dispor do controlo automático da climatização, um sistema de rádio e som relativamente evoluídos e esta oferta tecnológica será alargada com um sistema de navegação com ecrã táctil, uma câmara de visão traseira e um sistema de acesso e arranque mãos livres! Contudo, as ajudas à condução ficam-se por aqui, pelo menos para já. Mais detalhes sobre o equipamento disponível estão no texto de apresentação do modelo que se encontra AQUI.

Atenção à cabeça!

Por fim, volte-se a insistir na questão do espaço.
O C-Elysée é, efectivamente, um carro espaçoso para o preço e com esta característica bem rentabilizada para as dimensões do conjunto. Além da excelente capacidade da mala, 506 litros, os ocupantes do assento traseiro beneficiam de espaço suficiente para as pernas e a configuração do respectivo banco até nem é muito desconfortável para quem se senta ao centro. Mais estranho é que não disponha de encosto de cabeça…
Outra característica menos boa reside na porta da mala. Em primeiro lugar o facto de utilizar dobradiças em arco, em segundo o seu peso.
Estes dois factores fazem com que, quando a tampa da bagageira não está totalmente aberta, ela tenha tendência para retornar à posição de fecho. Se entretanto braços ou cabeça já se dirigirem para o seu interior é fácil adivinhar o resultado. Contudo, esta última circunstância verificava-se de forma mais notória apenas numa das unidades ensaiadas, o que faz supor uma simples má afinação das dobradiças.





DADOS E CARACTERÍSTICAS MAIS IMPORTANTES

(diesel)

Preços (desde)
18854 euros (+ despesas preparação e documentação)
Motores
1560 cc, 8 válvulas, 92 cv às 4000 rpm, 230 Nm às 1750 rpm, common rail, turbo e intercooler
Prestações
180 km/h, 11,2 seg.(0/100 km/h)
Consumos (médio/estrada/cidade)
4,1 / 3,7 / 4,8 litros
Emissões Poluentes (CO2)
108 gr/km


(gasolina)

Preços desde
13.650 euros (Seduction)
Motores
1199 cc, 16 V., 72 cv às 5750 rpm, 110 Nm às 3000 rpm, motor em liga de alumínio, injecção indirecta
Prestações
160 km/h, 14,2 seg.(0/100 km/h)
Consumos (médio/estrada/cidade)
5,2 / 4,2 / 6,9 litros
Emissões Poluentes (CO2)
119 gr/km

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